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MODELISMO EM ESCALA COM MATERIAIS ALTERNATIVOS
Introdução Por que reformar? Efeitos do tempo adequado? Novos materiais
Ferramentas adequadas Corrigindo detalhes Bibliografia

REPAROS E RESTAURAÇÃO DE MODELOS ALTERNATIVOS: Algumas considerações a serem feitas no momento da construção de um modelo.



Artigos para discussão sobre modelismo alternativo

Autor: Leonardo Corradi Coelho

Data: 28 de agosto de 2003

Abstract:

When you start the construction of a new model, probably you will not consider the future necessity of repairs and/or restoring it from time. Consider such a possibility, specially when you project your model’s structure or choose the materials to employ in its construction, may be useful to avoid future problems. That paper tries to discuss some material and structure choice possibilities, as son as some difficulties and problems you can find when using some conventional techniques or new ones (specifically developed for future restore possibilities). That discussion arises from my necessity to repair two damaged models that I make without any precaution on future accidents. The obtained experience in their fix is the basis of that paper, and some reconsiderations can be made from the achieved results and my difficulties to achieve good results without special tools and hard work.

Resumo:

Quando você começar a construir um modelo, provavelmente não considerará a necessidade de reparos futuros ou mesmo sua restauração dos desgastes do tempo. Considerar esta possibilidade, especialmente quando você estiver projetando a estrutura de seu modelo e escolhendo os materiais a empregar, pode ser útil para evitar dor de cabeça futura. Este artigo procura discutir algumas possibilidades de escolha de materiais e estruturas a empregar, assim como algumas dificuldades e problemas que você poderá enfrentar ao utilizar técnicas convencionais, ou aquelas novas, propostas em função de possibilitar reparos futuros. Esta discussão nasce de minha necessidade de reparar dois modelos danificados, os quais construí sem cuidados relacionados a futuros acidentes. A experiência obtida durante o reparo destes modelos serviu de base para a escrita deste artigo, e algumas reflexões podem ser feitas a partir dos resultados alcançados nestas restaurações, e de minhas dificuldades em obter bons resultados por via de métodos simples e sem ferramentas especiais.




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Introdução

Dois de meus primeiros modelos, um protótipo de spitfire com flutuadores exibido na revista TopGun e um Fokker Wolf FW-190 A, ambos exibidos em meu site de modelismo alternativo, sofreram acidentes (quedas e manuseio incorreto por crianças).

Em ambos os casos, os reparos pareciam simples de executar. A simples substituição das peças danificadas, ou mesmo seu ajuste seria suficiente para a correção dos problemas.

Iniciando os reparos, entretanto, enfrentei alguns problemas de ordem prática em sua execução, já que a remoção de qualquer peça de fixação interna ao modelo exigiria a remoção também das superfícies pintadas que as recobriam. Aparentemente simples retoques na pintura, após realizados os reparos, seriam suficientes para ocultar a intervenção, mas isto somente se provou correto em teoria. Na prática, estas intervenções para reparos nos trens de pouso do Fokker Wolf provaram que seria necessária uma intervenção cirúrgica no modelo, para que não sobrassem marcas grosseiras, nem mesmo fosse necessário remover superfícies pintadas ainda maiores que as anteriormente imaginadas para a sua reposição posterior. Mais tarde eu perceberia que a reparação das superfícies pintadas também exigiria conhecimento de novos materiais de preenchimento. Por último, ficou, naquele momento claro, que a remoção de tais superfícies poderia ser custosa à estrutura do modelo, e difícil de se executar sem ferramentas apropriadas.

A reforma do spitfire demonstrou-se muito mais simples, num primeiro momento, já que não houvera necessidade de remoção de nenhuma peça interna, como os trens de pouso, inexistentes neste modelo específico. Intervenções em sua pintura seriam, entretanto, necessárias, devido aos desgastes sofridos com inúmeros tombos que este sofrera na casa de minha avó. A partir deste momento, encontrei um novo problema decorrente da falta de planejamento e cuidados com os reparos futuros durante sua construção: Não seria possível reproduzir o mesmo padrão de pintura original do modelo, na medida em que me faltavam tintas spray das cores necessárias, a marca de tinta havia sumido do mercado, e minhas tintas restantes estavam todas com a validade vencida, algumas delas apresentando falhas em sua aderência sobre as superfícies. Já no caso do Fokker Wolf, pintado a óleo, eu possuía todas as tintas, mas estas haviam sido combinadas sem que eu anotasse as proporções de mistura, e através de experimentação prática com as tintas, eu percebera que dois tubos de mesma cor nominal, da mesma marca, poderiam apresentar cores um pouco diferentes uma da outra.

Diante destas observações iniciais, o trabalho de reparo e restauração de um modelo alternativo se mostrou muito mais difícil que o anteriormente esperado. A resistência de algumas peças deveria ser repensada; a forma de fixação de dobradiças e partes móveis, ou mesmo algumas partes fixas necessitava de reexame; a padronização da pintura era necessária para a sua futura repetição; estratégias visando futuros reparos deveriam ser traçadas, para que problemas futuros pudessem ser mais facilmente contornados.

O planejamento futuro durante a construção de um modelo parece um passo difícil de se sistematizar e elaborar. Sua execução se mostrou, entretanto, necessária para que a reforma de um modelo seja bem sucedida e de fácil conclusão.

É com base na experiência adquirida com a restauração dos dois modelos citados que eu escrevo este artigo, tentando clarear uma linha possível de ser seguida na construção de modelos mais fáceis de reforma r. Para tanto, é necessário entender um pouco melhor os materiais envolvidos na construção destes modelos; os efeitos do tempo sobre estes materiais; a estrutura do modelo e suas particularidades sob ação do tempo, umidade, ação de forças externas; a acessibilidade de juntas e partes móveis. Desta forma, este artigo foi dividido em tópicos relacionados a cada um dos fatores que identifiquei como capazes de influir tanto no desgaste acelerado dos modelos, quanto na necessidade de reparos e sua complexidade.

É importante salientar que nem tudo o que já foi dito anteriormente no site de modelismo alternativo necessita de revisão. Algumas técnicas empregadas na construção dos modelos se mostraram bastante adequadas a reparos futuros, enquanto que outras não. O conhecimento da estrutura do avião, especialmente do que havia em cada lugar a ser cortado e a cola empregada foram importantes para evitar quebra de ferramentas, ferimento, entre outros problemas técnicos. Desta forma, mais do que alterar as técnicas e materiais de construção de modelos, torna-se necessário alterar o modo de construí-los, de forma a obter melhores resultados em intervenções futuras.


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Por que reparar um modelo? Que caminho seguir?

“Por que reparar um modelo” parece uma pergunta evidente. Porque ele se quebrou, ou porque ele está muito desgastado. Lembre-se, entretanto, que existem tanto a manutenção preventiva quanto a corretiva.

Muitas vezes será o desgaste natural com o tempo que exigirá uma intervenção em um modelo, especialmente se as suas peças não foram adequadamente projetadas ou protegidas. Qualquer utensílio ou equipamento que você utilize em seu dia a dia sofre desgaste, e alguns necessitam de manutenções de rotina, como um automóvel. Se você produziu um modelo com peças móveis, você pode ter certeza que o uso das mesmas acarretará em desgaste.

Seu modelo foi adequadamente projetado e protegido? Esta proteção dura tempo suficiente? Será que é necessário alterar alguma coisa, como substituir uma dobradiça muito apertada, para que o modelo não sofra desgaste maior que o previsto e necessite de reparos mais complexos para eliminar folgas maiores que surgirão devido ao aperto da dobradiça?

A manutenção de um modelo pode ser um meio de evitar problemas futuros, mas quando estes surgirem, e surgirão, é melhor repara-los rapidamente, para que não se agravem, ou mesmo para que você possa obter dele o mesmo prazer de uso e contemplação que ele proporcionava anteriormente.

Quando pensamos em que caminho seguir, podemos então perguntar: É melhor reformar ou restaurar o modelo?

A reforma, aqui entendida, diz respeito a alterações na aparência e/ou estrutura do modelo, quando da execussão de um reparo. Já a restauração implicaria na recomposição fiel do modelo como ele era antes do reparo.

Como levantado anteriormente, podemos encontrar alguns problemas na recomposição de um modelo exatamente como este era antes do reparo, especialmente quando não são tomados os devidos cuidados em sua construção. A restauração torna-se, portanto, um trabalho moroso e muito mais complicado que a própria construção do modelo. Quando discutirmos a ação do tempo sobre os materiais usados, será mais fácil de entender as limitações deste objetivo, e os cuidados necessários para a possibilidade de sua execussão. Para ter uma idéia mais clara do problema, neste momento, basta pensar nos trabalhos de restauração de patrimômio histórico como velhos casarões coloniais. Sua reforma é claramente muito mais difícil, e necessita muito mais pesquisa que a construção de um prédio novo.

A escolha do caminho a seguir, entre a reforma e a restauração diz respeito tanto à possibilidade de execussão bem sucedida de cada método, quanto aos objetivos de quem realiza este trabalho. O que você realmente quer? Você está satisfeito com o modelo como era, ou aceita mudanças que melhorem seu funcionamento e aparência? Você quer variar um pouco o visual do modelo? Você necessita manter um histórico das suas evoluções no trabalho de produção de modelos alternativos?

Pese bem seus objetivos, pois eles podem ser alcançados por outros meios que não a restauração , permitindo por exemplo que você tenha um bom registro de seus avanços, sem a necessidade de gastar demasiado tempo com um trabalho de restauração. O que será mais prático para você? Bem, não devo discutir mais esta questão, já que esta é uma decisão sobretudo pessoal. De qualquer forma, para tomá-la, ou mesmo para executar qualquer tipo de reparos devemos discutir um pouco sobre os materiais empregáveis e sobretudo aqueles propostos no site de modelismo alternativo. Quais são as conseqüências da ação do tempo sobre eles?


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Os efeitos do tempo sobre o modelo

Em modelismo alternativo, pelo menos nos moldes propostos no site: http://www.modelismo.alternativo.nom.br os materiais mais usados são as madeiras, papelões, plásticos, alumínio, colas vinílicas, super bonder, arames, borrachas e tintas.

A ação do tempo sobre cada um destes materiais é variada, mas podemos classifica-los em grupos, quanto à sua sucetibilidade a desgastes diretos e de tal gravidade que necessitem de troca ou reparo. Estes materiais devem, entretanto, ser agrupados levando em conta não só suas características originais, mas a sua função no modelo. Para todos os casos, subtende-se que o material esteja devidamente protegido.

O primeiro grupo é o dos materiais resistentes, ou seja, aqueles cuja ação do tempo é tão demorada, que você não necessitará de se preocupar com sua manutenção durante toda a vida. Neste grupo incluímos o plástico transparente da cabine do piloto, as madeiras estruturais ocultas e não tensionadas e os metais não tensionados de suporte sem articulação. (hastes de trem de pouso sem articulação direta no metal, ou hastes internas de sustentação de asas, motores ou outras peças que não exerçam peso suficiente sobre o metal para a sua deformação).

O segundo grupo é o dos materiais resistentes submetidos a estresse. Neste grupo, incluímos aqueles materiais que foram submetidos a estresse durante a produção do modelo, ou que estejam sujeitos a estresse devido à ação do tempo. Entende-se por estresse, a aplicação de forças externas sobre o material, a aplicação constante de peso capaz de deformá-lo, ou a presença de peças móveis que com ele se articulem. Assim como antes, estes materiais não deixam de ser resistentes para a sua função inicial. São exemplos os metais tensionados de suporte e os metais componentes de articulações.

O terceiro grupo é o dos materiais flexíveis ao tempo, ou seja, aqueles materiais que, embora sofram com a ação do tempo em períodos humanamente possíveis, demonstram boa adaptação a esta ação ao longo do tempo, mantendo sua funcionalidade original, quando a estrutura do modelo assim o permitir. Neste grupo incluímos os papéis e papelões de cobertura, as madeiras de suporte não tensionadas (e se a estrutura permitir) as tensionadas, os metais de suporte interno tensionados, as madeiras torneadas que componham formas externas, e as borrachas firmes que não sirvam de suporte (incluindo materiais como cola quente).

O quarto grupo é o dos materiais inflexíveis ao tempo, ou frágeis ao tempo. Estes materiais fatalmente sofrerão desgastes, mesmo quando devidamente protegidos, necessitando de reposição após um certo tempo ou freqüência de uso. Neste grupo, incluímos os pepéis, papelões, borrachas, plásticos, madeiras e tecidos envolvidos em articulações, as borrachas moles utilizadas como apoios e suportes, e algumas colas vinílicas e super bonder que possam se desprender devido à ação de estresse, e quando aplicadas na colagem de materiais pouco porosos, ou entre faces de materiais diferentes. Incluem-se também neste grupo as tintas usadas na decoração.

Por fim um quinto grupo pode ser definido como o dos materiais de proteção, que são aplicados sobre os demais para que o desgaste do tempo os atinjam diretamente, poupando assim os materiais significativos do modelo. Neste grupo incluem-se os vernizes, vaselina, óleo e graxa de articulações e revestimentos impermeabilizantes. Como alguns destes materiais estarão também protegidos por outros protetores, como no caso do revestimento impermeabilizante que em nosso método é aplicado antes da tinta, para evitar a deformação de peças de papelão no momento da pintura, eles podem não necessitar de reparos devido à ação do tempo puro e simples, mas a necessidade de reparos, ou mesmo acidentes podem danifica-los, fazendo com que sob qualquer que seja a hipótese, tratamento especial deva ser a eles dado, já que de uma forma geral, eles são os primeiros materiais a sofrerem agressões externas.

Nossa classificação então é a seguinte:

Tipo de material

Exemplos

Resistentes

Metais, plásticos e madeiras

Resistentes sob estresse

Metais tensionados e articulados

Flexíveis

Madeiras, metais, papel e papelão

Inflexíveis ou frágeis

Papel, papelão, plásticos, madeira e borrachas moles

Proteção

Vernizes e lubrificantes

Classificados os materiais, podemos agora falar dos efeitos do tempo.

Os principais efeitos que podemos destacar são: Fadiga e acomodação de materiais, decomposição orgânica, reações químicas de oxidação e corrosão, dilatação e retração muito diferentes, inchaço e deformação na presença de umidade, acúmulo de poeira e detritos, deformação por peso e deformação por tensão constante.

Estes efeitos se darão de forma diferenciada sobre cada material, afetando preferencialmente certos grupos de materiais e causando problemas visuais e funcionais em diferentes escalas, exigindo reparação.

Os materiais classificados sob o grupo dos resistentes são praticamente indiferentes a estes fatores, quando o modelo é conservado em local adequado, mesmo sem manutenção constante, e sob manuseio freqüente. Maiores cuidados devem ser tomados com relação à exposição a agentes químicos corrosivos e acidentes como fogo e quedas.

Os materiais resistentes sob estresse, entretanto, necessitam de maior proteção, especialmente quando articulados. O caso das articulações é especialmente grave, já que normalmente os materiais protetores não conseguem se manter sobre elas por muito tempo, permitindo contato direto com o ar e umidade, além do próprio estresse que o manuseio lhes causa. Embora sejam resistentes, estes estão sujeitos a pequenas deformações, causando folgas. Além disso, estes materiais normalmente estão associados a outros de menor resistência, e no caso dos suportes, costumam estarem ocultos. Neste caso, é necessária especial atenção, já que embora estes não tenham se desgastado, um reparo nos materiais associados pode expô-los a tensões indesejadas e/ou excessivas. Outro problema é que estes materiais normalmente exigem o uso de ferramentas mais fortes para seu manuseio. Desta forma, uma intervenção indesejada poderá danificar a ferramenta utilizada com materiais mais frágeis. O uso de ferramentas mais fortes, prevendo esta possibilidade pode, ainda, causar danos nestes materiais, afetando sua funcionalidade.

Os materiais flexíveis estão expostos a todo tipo de ação do tempo, como ressecamento, endurecimento, distensão e outros tipos de fadigas, assim como decomposição e reações químicas, mas dentro de certos limites, estes não perdem funcionalidade e nem alteram sua aparência quando devidamente protegidos, ou acompanhados de outros materiais estruturais. Em alguns casos, a fadiga pode inclusive melhorar as características funcionais de certos materiais estruturais, que deixarão de exercer tensão sobre outras partes da estrutura, acomodando-se à forma que lhes foi dada na construção, e se tornando ali inertes. O papel e papelão estruturais e de cobertura, assim como madeiras de suporte interno e plásticos podem sofrer esta ação benéfica que facilita muito uma manutenção.

Os materiais frágeis, entretanto, são muito afetados pelo tempo, perdendo funcionalidade e alterando sua aparência com o tempo. Na maioria dos casos, este problema de fragilidade se dará devido a escolhas erradas de materiais, os quais poderiam ser substituídos por outros mais resistentes ou flexíveis. Com exceção das tintas, esta afirmativa anterior tende a ser certa. Caso perceba-se a fragilidade de um dado material, pode ser o momento de substituí-lo por outro mais adequado, afim de evitar problemas futuros. No caso específico das tintas, uma característica natural de quase todos os pigmentos disponíveis no mercado é a alteração cromática ao longo do tempo. Isto torna difícil a repetição de uma cor durante um reparo, por meio de tabelas de cores. Já a combinação de cores pode resultar em uma composição de pigmentos diversos da cor original, que envelhecerá diferentemente.

Já os materiais de proteção estão presentes justamente para sofrerem os desgastes no lugar de outros materiais mais importantes ou mesmo insubstituíveis. São os únicos materiais dos quais esperamos desgaste e necessidade de manutenção e reparos. Nenhum outro material no modelo deve ser entendido como desgastável. O modelo é entendido como algo permanente e resistente. Somente os materiais de proteção devem sofrer desgastes e reposição constantes. É necessário, é claro, conhecer as características dos mesmos, de forma a seu desgaste não comprometer a aparência do modelo. Os vernizes geralmente não aparentam desgaste quando devidamente limpos e conservados, com retoques a intervalos que variam com a exposição ao sol e umidade do ambiente. As graxas devem ser repostas conforme a freqüência de uso das articulações, mas somente quando derem sinais de insuficiência. No impermeabilizante não se mexe a menos que este tenha sido removido.

Podemos agrupar os efeitos conforme a seguinte tabela:

Tipo de material

Efeito do tempo

Conseqüência

Resistente 1

nenhum

nenhuma

Resistente 2

Desgaste mecânico

folgas

Flexível

Todos exceto deformação

Alterações desprezíveis e melhorias

Frágil

Todos os efeitos possíveis, dependendo de cada material

Folgas, deformações, alterações de cor, textura, quebras e rasgamentos, descolamento

Proteção

Desgaste mecânico e químico sem alteração de cor

Folgas reversíveis, necessidade de reaplicação, possibilidade de exposição dos demais materiais a danos físico-químicos.

Como exposto acima, qualquer material que apresentar sucetibilidade aos efeitos excluídos por seu suposto grupo original (tipo de material), ou aos efeitos do grupo frágil, sofrendo suas conseqüências, será classificado como frágil. O grupo dos materiais frágeis se caracteriza pelo emprego indevido. Neste caso, um exemplo de verniz que se torne opaco com o tempo representaria um material frágil, pois sofrerá alteração de cor, assim como qualquer material que sofra deformação.

Um modelo, portanto, deverá ser caracteristicamente resistente, necessitando de pouca manutenção, a ser realizada somente nos materiais de proteção. Caso contrário, foi empregado algum material ou técnica inadequados. Tentemos agora discutir algumas técnicas...


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Técnicas adequadas e inadequadas

As técnicas aqui discutidas foram aquelas empregadas na produção dos dois modelos reparados, já que não há qualquer base, senão especulativa, sobre as demais técnicas utilizadas em outros modelos, ou apresentadas no site. De qualquer forma, felizmente em termos de aprendizado, dois modelos de épocas bem distintas tiveram de ser reformados. Desta forma, as técnicas empregadas no Fokker Wolf eram bem diferentes daquelas empregadas no Spitfire, já que se tratam respectivamente de meu 2o e 6o modelos. O spitfire fora o primeiro em que empreguei a técnica de lâminas e armação em cruz descrita no site, enquanto o Fokker fora construído através da colagem de sólidos primitivos.

Um terceiro modelo, ainda em fase de produção, permaneceu 6 anos guardado, tempo em que estive mais ocupado com meu curso superior: o Hawker Hurricane, motivo da criação do tutorial de modelismo alternativo. Este modelo, guardado desprotegido, sofreu, é claro, ação do tempo e alguns danos. A reparação destes danos não foi muito dificultada, já que algumas peças como trens de pouso, hélice, flaps e ailerons ainda não estavam prontos. A reforma do Fokker Wolf mostrou-se bem mais complexa que a do Spitfire, até porque não foi feito nenhum reparo mais profundo no segundo, mas os reparos do Hawker Hurricane serviram de boa base para a comparação de reparos profundos entre os dois tipos de estrutura tratados. Tendo grandes espaços internos vazios, a estrutura em cruz do Hawker Hurricane e do Spitfire dificulta a aplicação de massas de preenchimento, e colagens internas que sirvam de artifícios para a reparação de um modelo. Imagine qual não foi a dificuldade em criar um novo suporte para a articulação dos trens de pouso do Hurricane em um buraco de difícil acesso, mas interiormente maior que um dedo... Este caso específico demonstrou que as antigas asas preenchidas de papelão grosso do Fokker wolf apresentavam uma estrutura muito mais consistente para a reforma de seus trens de pouso.

A experiência de reformar modelos, com técnicas bastante distintas abriu espaço para comparações e reflexões. Comparemos algumas destas técnicas.

A técnica dos primitivos sólidos e as armações em cruz:

A técnica dos primitivos sólidos consiste na colagem de cones, cilindros e prismas, entre outros sólidos geométricos primitivos, de dimensões que se assemelhem à silueta do objeto modelado. Novas peças vão sendo coladas sobre as anteriores, para fazer qualquer ajuste necessário, como dar aspecto elíptico a um cilindro, sem ter de deforma-lo após sua colagem. A colagem de peças em série, ou seja, um cilindro atrás de um cone, ambas com o mesmo espaço interno, era feita através da colagem de uma bucha de papel, ou um recheio de papelão grosso. Esta estrutura confere bastante resistência e rigidez à peça modelada, mas a sua execussão, e especialmente a replicação das seções transversais do objeto modelado são bastante difíceis.

A técnica das armações em cruz consiste na colagem lâminas no formato de quartos das seções transversais de um objeto (quadrantes cartesianos) sobre uma armação em cruz, a qual cada um dos eixos possui a forma da silueta do objeto modelado, visto de cima e de lado. Esta forma de construção facilita muito a replicação da forma do objeto modelado, dentro de uma amostragem que corresponde às seções transversais conhecidas. Do ponto de vista da precisão, esta técnica torna a anterior obsoleta.

Quanto à resistência da estrutura contra danos causados por tombos, ou ao peso do próprio modelo, pelo menos para aqueles de dimensões pouco avantajadas, as duas estruturas mostraram-se bastante estáveis. Aparentemente, a técnica de primitivos sólidos constrói um modelo bem mais resistente que as armações em cruz, mas eu nunca enfrentei alguma situação que pudesse me provar qual das estruturas é mais eficiente. A sua escolha dependerá apenas das preferências do modelista.

Quanto à facilidade de reforma do modelo, a antiga estrutura de primitivos sólidos, com seu recheio interno bastante compacto exige o uso de ferramentas especiais para realizar escavações no modelo. Esta dificuldade, entretanto, torna-se benção no momento de reparar peças como articulações, que encontram naquele substrato, uma base sólida para a fixação de pinos, eixos e dobradiças. Como dito anteriormente, a armação em cruz, com seus enormes espaços abertos, exigirá a aplicação de muita massa de preenchimento, ou a colagem interna de papelão grosso, borracha ou outros anteparos que sirvam de suporte para estas articulações.

Diante do acima exposto, parece que o mais sensato é combinar estas duas técnicas na produção do modelo, de forma a rechear os espaços vazios da armação em cruz, naqueles lugares que receberão peças de articulação, que sofrem tensões.

Preenchimento com massa de serragem e cola

A massa de serragem e cola forma uma estrutura muito resistente, assemelhando-se a peças maciças de madeira, pouco sucetíveis a deformações. Esta estrutura é, entretanto, um pouco grosseira, e pode dificultar reparações. É importante considerar que esta massa de preenchimento normalmente elimina a necessidade de reparações em seus arredores. Sugere-se substituí-la por outros materiais mais finos, permitindo mais fácil reparação e corte, ou mesmo derretimento. Esta massa deverá ser evitada na presença de articulações. Seu tempo de secagem também é muito inadequado, sendo aconselhável substituí-la por outros preenchimentos mais rápidos. Sua única vantagem é a alta resistência.

Uso de dobradiças metálicas e de papelão

O papelão, como material para dobradiças, classifica-se no grupo dos materiais frágeis. Seu uso nesta função, portanto, deve ser banido definitivamente. Já as dobradiças metálicas são de mais difícil construção, mas muito resistentes, e de mais fácil reparo. Se acompanhadas de lubrificação, e devidamente ajustadas, não devem causar problemas. Elas são a opção mais recomendável para a articulação dos aviônicos.

Uso de madeira

A madeira, aplicada como suporte de trem de pouso, classifica-se no grupo dos materiais frágeis. Esta também não é muito resistente a tensões, embora não seja errado o seu uso para a fixação de asas. O procedimento de fixação por via de feixes de madeira cria uma estrutura ajustável no momento da colagem. Posteriormente a colagem externa da asa dará suporte à mesma, praticamente eliminando a necessidade dos feixes de madeira internos (normalmente palitos de dente). A asa se estruturará, portanto, em seu próprio papelão, que classifica-se neste caso como material flexível, já que a estrutura do conjunto suporta muito bem o peso do modelo, evitando deformações.

Empenar as asas durante colagem de cobertura para ajustar ângulos

Este método de fixação das asas consiste em submeter o corpo do modelo, juntamente com sua asa a uma tensão capaz de situa-los em um dado ângulo correspondente a aquele existente entre a asa e o corpo do objeto real. Este método era necessário para o ajuste das asas de modelos construídos com primitivos sólidos. Posteriormente, com a introdução dos feixes de madeira para a fixação, este trabalho se tornou praticamente desnecessário, a menos que após a colagem externa da asa, fosse verificado algum erro no ângulo de fixação da asa.

Esta técnica não cria dificuldades específicas quando os reparos forem executados alguns anos depois, já com o papelão sob efeito de fadiga. Do contrário, cortes na superfície podem causar deformações nas peças, que sob tensão, sofreriam torção.

Como um modelo não é criado com o intuito de ser restaurado, pelo menos a curto prazo, não existe problema em empregar esta técnica. De qualquer forma, sugiro evitá-la, utilizando-a apenas quando for estritamente necessário realizar algum ajuste forçado.

cobertura

O revestimento deve ser aplicado sempre antes da pintura como base para a mesma (impermeabilizante), e depois desta como proteção (verniz). Sua aplicação deve ser a mais uniforme possível, e preferencialmente deve-se aplica-lo também nas partes internas do modelo. Nunca deve-se aplicar o revestimento, entretanto, antes da colagem de novas peças, para garantir a correta colagem. O revestimento necessitará sempre ser removido do local de reparação para possibilitar a colagem adequada das novas peças sobre as superfícies, mas nunca deve deixar de ser aplicado. No caso de pequenos reparos, sugere-se retocar o revestimento nos locais afetados.

cobertura com papel

A cobertura com papel sobre papelão é muito eficiente na reparação de emendas mal feitas e ocultação de pequenos defeitos e irregularidades. Na hora de efetuar um reparo, entretanto, ela é bastante problemática, pois tende a se deformar quando cortada justamente sobre o defeito que ela ocultava. Nestes casos é muito recomendável proceder à aplicação de massas de preenchimento nas fendas. Além disso, o uso de lixas sobre as superfícies pode causar o descolamento parcial e/ou o rasgamento de camadas de papel colado, formando escadas que deverão ser removidas da superfície com massa ou lixa mais fina. Infelizmente não é possível evitar este método, já que este é um mal necessário à composição estrutural do modelo, especialmente no ajuste de ângulos. Devemos evitar a técnica sempre que possível, mas será impossível, pelo menos no momento, baní-la!

Uso de metal

Metralhadoras de metal podem causar estragos extensos no caso de quedas. O mais sensato é utilizar madeira (palitos de dente e de fósforo) em seu lugar. A vantagem da madeira neste caso, é que ela se quebra com facilidade, evitando que a força do impacto se transfira ao papelão onde ela está fixada, o que causaria seu rasgamento.

As peças articuladas, entretanto, devem ser feitas preferencialmente de metal, já que sofrem esforços e tensões, normalmente necessitando ser muito mais resistentes.

Folgas das peças

É bom manter uma folga mínima das peças articuladas para que estas possam se mover livremente sem causar deformações inesperadas, e para que permitam percolagem de óleo. Peças demasiado justas sofrerão desgaste excessivo, assim como as demasiado frouxas, que além de tudo, não funcionarão corretamente. Basta rerspeitar o limite da funcionalidade.

Superfícies lixadas

É bom lixar superfícies a serem coladas, especialmente com adesivos vinílicos como cola branca. Isto garante uma aderência maior, evitando descolamentos futuros, especialmente durante a manutenção. Deve-se atentar, entretanto, para a homogeneização das superfícies lixadas externas, de forma a permitir a fixação uniforme da base impermeabilizante, que não se aderirá corretamente às regiões com pêlos.

Teoricamente, uma forma de eliminar os pêlos e homogeneizar as superfícies externas do modelo seria o polimento das mesmas. Infelizmente eu não conheço nenhum material capaz de polir a superfície do papelão. Uma alternativa seria recobrir o modelo com algum papel liso e polido como o sulfite. Isto, entretanto, aumentaria a espessura do modelo. O mesmo problema pode ser levantado quanto à aplicação de massa de modelagem (como massa corrida). Até o momento, a aparentemente melhor forma de homogeneizar as superfícies lixadas é justamente aplicar o impermeabilizante com pincel e espátula. Se realizado com os devidos cuidados, este procedimento tende a deitar os pelos presentes na superfície lixada, proporcionando uma base muito mais homogênea para a pintura.

Cola branca, super bonder e cola quente

A cola branca é a que oferece maior resistência na colagem entre superfícies porosas. Já o super bonder (original) oferece bom suporte a materiais lisos e à colagem de materiais lisos com porosos. O super bonder é uma base mais frágil que a cola branca, para os modelos alternativos, mas é bastante útil na fixação rápida de peças, podendo ser associado à colagem com cola branca, sem prejuízos a reparos futuros. Já a cola quente é aplicável apenas a preenchimento. Ela é de difícil manuseio, dificultando o trabalho de reparação, já que forma uma base muito firme, ou seja, um obstáculo muito maior à passagem do bisturi que as massas de serragem e massa plástica de modelagem. O uso da cola quente é recomendável quase que somente nas peças de lata, e como suporte para articulações baseadas em eixos que rodam dentro de buracos. Nestes casos, o simples aquecimento da peça de cola quente pode repara-la, ou remove-la, tornando-a uma grande aliada das reparações futuras.

Esquemas em escala correspondente

Mantenha sempre uma cópia seguramente guardada do esquema em escala correspondente ao modelo montado. Isto permitirá consultas posteriores para reconstrução de peças danificadas pelo tempo ou por acidentes.


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Novos materiais a considerar em sua lista

A discussão das técnicas e materiais utilizados na construção dos modelos que foram reparados, assim como a experiência com novos materiais, adquirida durante o reparo dos modelos permitiu a introdução de novos materiais, por mim ainda desconhecidos, ou lançados após a construção dos modelos.

Destaco os seguintes materiais:

Massa Plástica/Acrílica para modelagem

Tenho como referência a pasta de modelagem (emulsão acrílica para modelagem) da marca Acrilex. Mais fina que a massa de serragem e cola, porém menos resistente, esta massa plástica mostrou-se um excelente substituto à cola quente e à serragem/cola em suas funções de preenchimento. Além disso, esta massa, por aderir bem e ser fácil de lixar, apresentou-se como um material adequado à reparação, sendo fácil de cortar, e capaz de homogeneizar a superfície do modelo. Esta, porém, não deve ser empregada em locais de esforço mecânico e articulação, se seu objetivo não for meramente o preenchimento de lacunas. Neste caso, a cola quente, ou roletes de latinha são muito mais adequados, respeitando-se é claro, a escala da articulação.

Lata em mais lugares?

Durante os reparos efetuados, a lata se mostrou, associada ao fio de cobre, o melhor material para a confecção das hastes de trens de pouso, assim como o melhor material para confecção de dobradiças. O uso de roletes de lata, ou seja, pequenos tubos feitos de lata enrolada ao redor de um arame de cobre, mostrou-se muito útil na confecção de algumas articulações. No interior dos modelos e como peça estrutural, entretanto, a lata conferirá maior robustez à estrutura, mas dificultará muito a manutenção.

EVA

O EVA mostrou-se muito sucetível a deformação por peso, embora seja muito fácil de modelar, especialmente na confecção de pneus. Sugere-se pelo menos a utilização de reforços de lata, enquanto não se encontrar uma borracha mais adequada à fabricação de pneus. Para qualquer outro uso, o EVA deverá ser classificado como material frágil. No caso dos pneus, para modelos leves parece adequada a sua utilização.

O retorno do Papelão grosso?

O papelão grosso mostrou-se um excelente material de preenchimento estrutural no momento das reparações. Pode ser interessante retomar seu uso, até mesmo como suporte a posteriores aplicações de massas de preenchimento, que utilizarão sua estrutura ondulada para melhor fixação.

Vaselina e graxa

O uso de lubrificantes como vaselina e graxa mostrou-se vital na conservação de rolamentos e articulações. Imaginando que seria desnecessário lubrificar as rodas de meus antigos modelos, muito leves e pouco manuseados, nunca me importei com estes materiais. Realizei, porém, um teste de lubrificação com vaselina em um de meus modelos mais recentes. O desgaste do tem de pouso se mostrou muito menor neste caso, estando seus rolamentos até hoje, cerca de 8 anos após sua construção, em perfeitas condições.

Os melhores tipos de revestimento impermeável

O uso de goma laca (mistura de cola e álcool etílico) mostrou-se muito eficiente na impermeabilização dos modelos, evitando sua deformação na presença de umidade. Os vernizes tanto foscos quanto brilhantes apresentaram bons resultados na proteção das pinturas. O melhor é optar por utilizar verniz em spray, que agride menos a tinta durante a aplicação do que quando usamos pincéis. Já no caso da goma laca, esta deve ser aplicada com pincel para que ajude a homogeneizar a superfície, deitando os pelinhos do papelão lixado.

A goma laca parece um revestimento mais consistente que o verniz, na função de revestimento impermeável, mas tende a alterar mais as cores da pintura, quando aplicada sobre a tinta, do que os vernizes, além de aparentar menor resistência mecânica.

Por que é importante trabalhar com tintas conhecidas e padronizadas

Quando reforma mos ou restauramos um modelo, é que percebemos quanto os pigmentos de uma tinta alteram sua cor com o tempo. Mais que isso, percebemos que tintas de diferentes marcas, se empregarem pigmentos distintos para atingir a mesma cor, envelhecerão de formas distintas. Além disso, a msitura de cores, quando tratamos de pigmentos, produz cores que envelhecerão diferentemente, cada qual de acordo com a proporção de cada tipo de pigmento utilizado. É por este tipo de problema que classifiquei as tintas como material frágil ao tempo. Retocar uma pintura antiga, mesmo que esta tenha sido devidamente protegida por vernizes e impermeabilizantes, torna-se um trabalho bastante complicado, cujos resultados podem ser pouco satisfatórios, principalmente com o passar do tempo.

Veja um caso que destaco como exemplo: Pintando uma tela, resolvi ajuntar o conteúdo final de uma bisnaga de tinta a óleo cor “verde Inglês número 5” com a tinta de outra bisnaga de mesma cor nominal, ainda sem uso. Qual a surpresa quando percebi que as cores das duas tintas, de mesma marca, eram muito diferentes. Um verde era um pouco mais escuro que o outro, e suas texturas eram distintas. Isto na mesma marca, de uma tinta bem considerada no mercado nacional.

Um outro problema claro foi o que encontrei no momento de restauração de meus modelos. Eu não havia tomado nota das cores e proporções de mistura que utilizei na produção dos modelos. Como eu poderia proceder a um reparo? Misturando tintas e tentando obter o mesmo tom presente nos arredores? Mas desta forma eu certamente veria as cores envelhecerem de forma distinta, criando manchas de cores diferentes nas áreas reparadas. Tenha sempre isto em mente: Reparos e repinturas deixam marcas. Qual é então a melhor opção para a restauração de um modelo? A repintura completa do modelo pode ocultar as marcas de reparos no papelão e madeira, assim como proporcionará um envelhecimento homogêneo de cada cor. É claro que para assim proceder à restauração de um modelo, você necessitará de algum registro seguro da padronagem de pintura de seu modelo. Este registro pode ser muito bem uma fotografia. Além disso, é importante lembrar de tomar nota de cada cor e identifica-la de alguma forma, seja através de uma tabela de cores e misturas, como as existentes em lojas de tintas, ou através do nome da cor e seu código e marca.

De qualquer forma, se você quiser se prestar ao trabalho, e não se importar em criar uma nova pintura, você poderá optar por uma reforma completa do modelo, inclusive alterando a padronagem de pintura para dar-lhe novos ares. A opção é pessoal.

Para realizar uma repintura, entretanto, é importante atentar a um detalhe: As tintas acrílicas e a óleo tendem a ser transparentes. Uma cor de base ou fundo, poderá influir na cor que a sobreponha, reduzindo seu brilho, escurecendo-a ou alterando seu tom. Para evitar este problema, é aconselhável remover a camada de pintura anterior com alguma ferramenta de limpeza específica. Depois, aplica-se novamente o impermeabilizante e sobre ele uma base de cor homogênea (ex: branca), para somente então reiniciar a pintura.


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Quais as ferramentas mais adequadas à restauração ?

Agora que discutimos as técnicas de produção dos modelos, diversos materiais a serem empregados e o seu desgaste com o tempo, é chegada a hora de discutir um último aspecto prático da restauração /reparação. Quais ferramentas empregar.

As ferramentas utilizadas na restauração não precisam necessariamente diferir daquelas utilizadas na produção dos modelos. As diferenças aqui encontradas em relação às ferramentas apresentadas no site de modelismo alternativo dizem mais respeito ao meu próprio reequipamento pessoal, e a novas opções que surgiram com o passar do tempo. Considerando, entretanto, as ferramentas básicas que listei para o modelista alternativo, algum investimento será necessário quando você necessitar restaurar um modelo.

Discutamos então as seguintes ferramentas:

Bisturi – ferramenta estritamente necessária para a restauração , já que permite a realização de cortes precisos, quase cirúrgicos. Esta também é a ferramenta ideal para o corte de porções de uma superfície fechada, como uma asa. O uso de uma tesoura para a mesma tarefa certamente resultará em cortes menos precisos, e mesmo em rasgamentos e deformações indesejáveis.

Tesoura - útil para a confecção de novas peças substitutas, mas nunca para reparação

Estilete – inútil na reparação, pois tem a mesma finalidade que o bisturi, mas é bem menos preciso.

Lixas – somente são úteis para a reparação, quando finas. As lixas mais grosseiras serão úteis apenas no desbaste de borrachas e EVA na fabricação de novas peças substitutas. A idéia com uma restauração ou reparação não é utilizar uma lixa grossa para desbastar o papelão do modelo.

Aerógrafo – útil para a repintura total, e para jatear ar para limpeza. Já para reparos, parece mais fácil utilizar-se de pincéis, a menos que seu aerógrafo seja apropriado para trabalhos de grande precisão e pequena escala, e você já possua suficiente confidência no uso desta ferramenta.

Pincéis – são sempre úteis, tanto para a limpeza de superfícies, quanto para pintura e retoques.

Retífica – extremamente útil para pequenas intervenções – excelente para diversas funções, facilitando muitos trabalhos, mas seu uso deve preceder de equipamento de segurança como máscaras e óculos de proteção. É um dos investimentos mais compensadores tanto para reforma s, quanto para a construção de novos modelos.

Paquímetro – ferramenta indispensável, já que réguas tornam-se imprecisas para medição de volumes irregulares.

Réguas e transferidores – úteis para a confecção de novas peças, mas somente no papelão ainda plano.

Compasso – útil para a confecção de novas peças. Pense ainda na possibilidade de um compasso mais resistente que permita não só medições e desenho de círculos, mas também o corte de círculos.

Materiais de proteção – Óculos de proteção, luvas e máscara de proteção contra pó. São indispensáveis para o uso de ferramentas rotatórias como a retífica ou uma furadeira. O uso, principalmente de discos de corte e limpeza pode projetar resíduos ou mesmo estilhaços dos próprios discos ou material cortado contra os olhos. Lixar com a retífica, ou usar um disco de limpeza geralmente levanta muito pó no recinto de trabalho. Deve-se evitar respira-lo, especialmente quando se tratar de pó de tinta, pois alguns pigmentos são muito tóxicos. As luvas servirão para proteção dos dedos durante trabalho de corte. De vez em quando a retífica dá alguns arrancos e escapa da mão. Evite cortar também seu dedo.

A utilização, especialmente do paquímetro, do bisturi e da retífica facilitou muito o trabalho de reforma dos modelos. Eu não optei pela restauração, devido aos problemas enfrentados com as tintas.

A pintura com aerógrafo foi muito dificultada pela minha pouca prática com este instrumento. Eu acabei tentando utilizar máscaras para a pintura de insígneas, mas fracassei. Utilizei então meus pincéis para este trabalho. Eu poderia, é claro ter tentado trabalhar com decalques , para evitar a tarefa de pintar em certas posições um tanto incômodas, mas eu ainda não tomei tempo tentando aperfeiçoar minhas técnicas propostas de decalque. Esperem mais resultados em breve...

Resta agora, apenas uma pequena discussão sobre algumas possibilidades que podem surgir do momento de uma restauração / reparação, ou mesmo reforma de seu modelo.


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Corrigindo aquela imperfeição que te incomodava tanto!

É isso mesmo que você quer? Você não prefere restaurar seu modelo? Bem, então é hora de reformá-lo!

Antes de começar o trabalho, guarde uma lembrança do estado anterior do modelo, como forma de arquivar seus aperfeiçoamentos técnicos ao longo dos anos.

Pegue novamente seu esquema em escala, para traçar as suas estratégias de correção daquela imperfeição. Você já pesquisou outros esquemas na internet para certificar-se de que aquela imperfeição realmente existe?

Preste bastante atenção na estrutura de seu modelo. Cortes ou remoção de material em áreas de juntas e partes estruturais podem danificar ou até mesmo destruir um modelo... A estrutura que permite maior flexibilidade neste caso é a de sólidos primitivos. També é ela que geralmente pede algum tipo de reforma desta natureza. A menos que você tenha construído seu modelo com um esquema sem cortes transversais, a técnica de armação em cruz resultará em um modelo bem parecido com o objeto real, é claro, se bem realizada.

Pense bem, no que você está fazendo, pois existem riscos envolvidos em uma reforma, mas esta pode ser uma grande oportunidade de gostar mais de seu trabalho!





ACRILEX® é marca registrada de ACRILEX TINTAS ESPECIAIS S. A.

Eu não possuo nenhum tipo de ligação ou acordo com a referida empresa.


Todas as definições e observações realizadas neste trabalho foram fruto de minha percepção pessoal durante a realização da reforma dos modelos alternativos citados, exceto as constatações referentes ao comportamento e toxidade das tintas. Estas são provenientes de aprendizado em disciplina de pintura: Pintura I, cursada na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, e de bibliografia consultada, mas não citada.



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Bibliografia consultada ou para referência

HAYES, Colin. GUIA COMPLETA DE PINTURA Y DIBUJO tecnicas y materiales. Primeira edição Inglesa 1978, H. BLUME EDICIONES, 1980, Barcelona.

Leonardo Corradi, 28 de agosto de 2003


Este documento foi copiado de http://www.modelismo.alternativo.nom.br

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